Essa semana fui convidado a participar de um seminário sobre Smart-Grids, ligado à um projeto que vamos acabar participando. Na sexta feira, no encontro do grupo, fui apresentado ao projeto, ao grupo, e aos assuntos que serão discutidos, abordados, e trabalhados durante o semestre. Mas durante a apresentação me chamou muito a atenção uma tópico abordado: "Quantas vezes o leiturista da concessionária de energia elétrica no Brasil passa na sua casa fazer a leitura do medidor ? Uma vez por mês, certo? Vocês tem ideia de quão frequente é feita a leitura aqui na Alemanha?"
Uma vez por ano. Ou menos. Um dos presentes ainda disse que não passam há 17 anos para fazer a leitura do consumo de água. Dezessete anos! Segundo ele, ligaram uma vez ou outra, nesse período de tempo, pedindo para que gentilmente informe quanto foi consumido.
Vamos dar outro exemplo. Você compra um ticket para o transporte público. E simplesmente entra no meio de transporte, seja ele ônibus, trem, ou tram (trem de rua / bondinho). Sem fiscalização. Ok, de vez em quando há fiscais dentro do tram pedindo o ticket; caso sua situação seja irregular, você leva uma multa de 40€. Mas posso contar nos dedos quantas vezes fui fiscalizado. Todos simplesmente compram o ticket.
Há também as caixinhas de venda, que se vê nas cidades pequenas do interior. O produtor rural deixa uma caixa/cesta com os produtos, geralmente feitos em casa, juntamente com o preço, e uma caixinha separada. Ninguém cuida, ela fica lá, na rua ou na calçada. Se você quiser, simplesmente pegue o produto, e deixe o dinheiro na caixinha separada. Simples assim.
Ok, sem idealismos, é claro que há alguns problemas com relação ao assunto, principalmente nas cidades maiores. Mas não há como comparar um país onde muitas vezes as portas de casa não são trancadas, com outro onde, na frente dos cobradores, pessoas simplesmente pulam a catraca do sistema de transporte, sem pagar. Onde o anormal é não dar propina ao policial. Onde, para tudo, existe um jeitinho, o tal do jeitinho brasileiro, para, de uma certa forma, burlar-se a lei. E o pior é ainda dizer que isso é "esperto", como se isso fosse sinal de inteligência.
Existem várias coisas, da padaria à universidade, que são muito bacanas, mas que dependem dessa honestidade, e que portanto, de forma alguma funcionariam no Brasil. Honestidade, esse é o maior exemplo que a cultura brasileira deveria absorver da cultura alemã. Utopia minha? É claro. Mas de qualquer forma vou fazer a minha parte. E espero que você lembre disso quando for dar um jeitinho em alguma coisa. Em que país você quer viver?